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sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Candidatos [a Reitor/a] discutem propostas para extensão

Presente em:

16 de agosto de 2012

Candidatos discutem propostas para extensão

Luciana Barreto
Da Secretaria de Comunicação da UnB

A interação com a sociedade é um dos grandes eixos que compõem o tripé institucional das universidades federais. Principal via para possibilitar esse diálogo, a extensão universitária é um dos pontos mais explorados nos programas de campanha dos candidatos que disputam os cargos de reitor e vice-reitor da Universidade de Brasília em consulta da comunidade acadêmica.
Com um orçamento anual que gira em torno de R$ 3 milhões, a UnB ampliou a oferta de bolsas, de professores envolvidos e de projetos institucionalizados na área de extensão. Enquanto em 2008 foram oferecidas 184 bolsas, em 2011 o número saltou para 500. No mesmo período, o contingente de professores dedicados aos projetos de ação contínua passou de 325 para 723.
Como consequência, aumentou a população beneficiada pelos programas. Hoje, são 9,7 mil pessoas em comunidades do Distrito Federal e Entorno. Em 2008, eram 2,2 mil. O número de projetos institucionalizados também cresceu: de 150, em 2008, para 266 no ano passado. Já o número de cursos diminuiu. Passou de 429 para 396. “Essa expansão se deve, em grande parte, ao aporte significativo de recursos do Reuni (Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais)”, explica Oviromar Flores, decano de Extensão.
Além dos números, afirma o decano, desde 2011 a extensão na UnB passou a figurar na escala da progressão do professor e considerada como instrumento de avaliação docente. “Os professores agora se enxergam mais pautados para esse tipo de ação”, diz Oviromar.
Por outro lado, ainda há o que se avançar, como, por exemplo, na implementação da curricularização da extensão, prevista desde 2001. Significa a obrigatoriedade de que 10% da carga disciplinar das universidades seja de atividades extensionistas. “Isso está sendo implementado aos poucos, porque depende da reestruturação programática de cada curso, que está relacionada também ao reconhecimento, por parte das unidades acadêmicas, desta importante estratégia”, analisa o decano.
Segundo Oviromar, a atual administração da UnB tem priorizado a identificação das urgências sociais no Distrito Federal e na região do Entorno para induzir projetos de extensão que reforcem as políticas públicas existentes. Nessa perspectiva, o Decanato lançou duas resoluções e criou a Diretoria de Desenvolvimento e Integração Regional. “Assim, os pesquisadores, além de seus ganhos formativos, contribuem para a resolução dos problemas sociais”.
Octavio Henrique Torres, coordenador do Diretório Central de Estudantes (DCE), no entanto, reclama da infraestrutura disponível para os projetos. “A extensão não tem sido devidamente valorizada. Não há o apoio necessário, como materiais, infraestrutura e transporte, por exemplo, para o cumprimento e prosseguimento das atividades”, avalia.  Ele reclama que há diversos casos em que os alunos não recebem os créditos por sua atividade. “Certamente isso desestimula, fazendo que desistam dessas ações em detrimento de outras frentes acadêmicas” afirma.
Leia a seguir as propostas de cada um dos dez candidatos para a área de extensão.

MÁRCIA ABRAHÃO – Chapa 80: O Amanhã fazemos juntos
O trabalho na extensão assume forte impacto no papel da universidade junto à sociedade, favorecendo a formação de profissionais com identidades solidárias. Como parte indissociável do exercício acadêmico, é fundamental viabilizar os meios para que a extensão repercuta positivamente nos projetos pedagógicos dos cursos de graduação e pós-graduação, bem como no desenvolvimento científico e tecnológico. Defendemos que compromisso social deve ser conjugado a excelência acadêmica. Além de valorizar as ações de extensão na graduação e nos critérios de progressão funcional docente, priorizaremos também a simplificação e agilidade nos processos institucionais ligados à extensão, como aprovação e renovação de projetos, programas e cursos e emissão de certificados. O aumento do fomento aos projetos de extensão e a criação de fóruns permanentes de discussão sobre a política de extensão da UnB também contribuirão para democratizar a gestão universitária.

MARIA LUISA ORTIZ ALVAREZ – Chapa 81: Gira UnB para uma nova gestão
Ao lado da minha vice, Maria de Fátima Makiuchi, com grande experiência no Decanato de Extensão, intensificaremos a articulação entre ensino, pesquisa e extensão. Pretendemos ampliar essas atividades, identificando áreas ainda não cobertas por projetos e promovendo a captação de recursos para esse fim. Buscaremos formas de disponibilizar o passe estudantil junto ao GDF para atividades acadêmicas extracurriculares. Precisamos ainda regulamentar a prestação de serviços pela UnB, como consultorias, laudos técnicos, assistência de saúde e jurídica. Outro compromisso é o de ampliar o número de bolsas e fortalecer os núcleos de extensão em todo DF, na UnB Cerrado, em Alto Paraíso e no Projeto Rondon, com infraestrutura e logística que garantam a mobilidade e estada das equipes. Instituiremos também os “espaços de cidadania global” a partir de interlocuções com países da África e América Latina. É um eixo em consonância com um projeto de nação: ênfase social e respeito à diversidade.

JOÃO BATISTA – Chapa 82: UnB Excelente e Solidária
Para que uma universidade pública seja, de fato, democrática, multicultural e inclusiva, a orientação máxima é o comprometimento social. Gerar conhecimentos inovadores é transformar a sociedade e agir segundo o interesse público. Com meu vice, Wellington Almeida, ex-decano de Extensão, trabalharemos para integrar o DF e a sua região, ampliando o acesso da população à UnB, aumentando os intercâmbios e parcerias em todos os níveis. Para enfrentar um grande gargalo burocrático, implementaremos a certificação digital, já que a demanda nesse sentido é enorme. No espírito da Semana Universitária, instituiremos ainda o “UnB de Portas Abertas”, em que todos os departamentos, uma vez por semestre, receberam a comunidade com aulas, exposições, seminários. Também articularemos manifestações culturais da UnB com iniciativas de intercâmbio em nível nacional e internacional. Nessa linha, outra proposta nossa é a Semana das Artes da UnB, bem como a dinamização do FLAAC.

ANA VALENTE – Chapa 83: Uma Reitoria Valente para Honrar a UnB
Para exercitar a função social da UnB, tanto na democratização dos conhecimentos produzidos quanto no movimento de trazer para a comunidade acadêmica as reais demandas da sociedade, é necessário que o Decanato de Extensão amplie sua atuação. Avaliamos que o sistema de acompanhamento da extensão tem sido relegado a um segundo plano. Precisamos de critérios de excelência para selecionar alunos e definir cursos e eventos de extensão, bem como os cursos de formação continuada e os projetos de ação contínua. Outro ponto nosso é rever a efetividade das parcerias com as comunidades locais, ONGs e empresas. Atestamos também a necessidade de novas ações nas comunidades beneficiárias, além da inclusão de outras com demandas sociais importantes. Outro aspecto relevante é o estímulo e inserção dos professores nos cursos e projetos de extensão. Não menos importantes são as cooperações com instituições nacionais e internacionais para consolidar redes de trabalho.

DENISE BOMTEMPO – Chapa 84: Inovação e Sustentabilidade
Para a relação universidade-sociedade ser transformadora e efetiva as atividades de extensão precisam ocorrer de modo contínuo e progressivo. Ao lado do meu vice, Noraí Rocco, e de meus companheiros de chapa, temos defendido a extensão como uma via de mão dupla: tanto como valiosa instância nas atividades formativas e investigativas quanto essencial para a melhoria das condições de vida da população. Para tanto, estimularemos a participação do corpo docente, dos técnicos-administrativos e dos estudantes em programas e projetos de extensão. Nosso objetivo é que a extensão alcance caráter mais duradouro e continuado. Em nossa proposta, incentivamos a inclusão de créditos em atividades de extensão nos projetos político-pedagógicos dos cursos. É fundamental ainda regulamentar prestações de serviços, como treinamentos, assessorias, assistência jurídica e à saúde. Fortaleceremos ainda as atividades da Casa da América Latina e ampliaremos a Semana Universitária da UnB.

GUSTAVO LINS RIBEIRO – Chapa 85: Inova UnB
Consideramos a extensão como uma das realidades mais dinâmicas nas universidades federais, uma das principais formas de interação e integração com a sociedade. Sem dúvida, ampliar as atividades é um desafio fundamental a ser assumido e enfrentado. Nossa defesa irrestrita é a de que a UnB deve estar sempre de braços abertos para acolher projetos, programas, cursos e eventos de extensão. Assim, poderemos mostrar e fazer valer todo nosso esforço de pesquisa e ensino. Uma das metas de nossa gestão é a de ampliar e facilitar o acesso de professores, técnico-administrativos e estudantes aos projetos de extensão, fortalecidos pela legislação em vigor, o Plano Nacional de Educação e as diretrizes curriculares nacionais. Trabalharemos para buscar mais parcerias e convênios para a captação de recursos, abrangendo, desse modo, e segundo critérios, um número maior de projetos e de bolsistas.

IVAN CAMARGO – Chapa 86: UnB Somos Nós
No exercício da atividade acadêmica, todo programa ou projeto deve incluir atividades de extensão integradas ao ensino e à pesquisa. Precisamos, porém, desburocratizar os processos de adesão dos docentes e discentes, diminuindo e simplificando as exigências. Respeitar a diversidade de interesses dos pesquisadores é outro ponto fundamental, já que há acadêmicos vocacionados tanto para sala de aula quanto para pesquisa ou atividades junto às comunidades. Consideramos importantíssimo o incentivo à extensão passar pela progressão na carreira. São necessárias ainda novas iniciativas, como expandir as ações de interesse direto da comunidade, a partir de oficinas de ciência, arte e cultura e programas de visita guiada voltados a alunos de escolas do DF e Entorno, e desenvolver programas associados a Educação do Campo e à Casa da América Latina. Propomos ainda aumentar as relações de cooperação e complementaridade com programas governamentais.

PAULO CÉSAR MARQUES – Chapa 87: UnB + 50
Saberes e conhecimento se constroem a partir da transformação da realidade, induzindo responsabilidade social nos alunos desde o início da vida universitária.  A extensão deve ser conduzida não apenas como prestação de serviços à comunidade, mas como forma de produção e transmissão de conhecimento. Extensão não pode mais ser encarada como o “patinho feio” do tripé institucional. É necessária profunda mudança cultural. Por isso, a importância dessas ações assumirem, na progressão funcional, o mesmo valor que os conteúdos tradicionalmente produzidos para a plataforma lattes. Em termos práticos, as condições logísticas e de infraestrutura devem ser asseguradas. Propomos contratos que viabilizem frotas suficientes para garantir mobilidade dos extensionistas mesmo fora dos tradicionais horários e dias de expediente. Defendemos ainda uma política clara: por que há, por exemplo, tantos módulos pagos para cidadãos comuns em uma universidade pública e gratuita?

SADI DAL ROSSO – Chapa 88: construindo a unidade
Para ser efetivamente pública, gratuita e de qualidade, a UnB deve estar envolvida com os interesses públicos, os trabalhadores e os movimentos sociais. É inadmissível que a extensão seja ainda entendida como “quebra-galho”, em detrimento do ensino e da pesquisa. Apoiaremos e ampliaremos as ações contínuas, os trabalhos com as comunidades e escolas públicas. Também priorizaremos os programas de divulgação científica, artística, cultural, intelectual e filosófica do que é produzido e debatido na Universidade, bem como o fortalecimento dos núcleos de extensão como estratégia para estreitar relações com a comunidade. Criar um fórum de grandes temas, com seminários voltados para o público do DF e região metropolitana, também é meta nossa. Mais que utilizar as comunidades como laboratórios, partimos da concepção de que estas devem ser diretamente contempladas com as ações de interesse público e social, além de parceiras na construção coletiva de saberes.

VOLNEI GARRAFA – Chapa 89: Viver UnB
Com grande experiência acumulada em extensão, já que fui decano na gestão de Cristovam Buarque, além de fundador e primeiro presidente do Fórum de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas Brasileiras, sinto-me mais que legitimado e comprometido com esse processo de transformação social que vem sendo conduzido pelas instituições de ensino superior. A extensão merece assumir um novo significado, deixando de ser uma função paralela e menor que a pesquisa e o ensino. Por isso, é essencial potencializar a relação das ações de extensão com as políticas públicas. Trabalharemos para que essas atividades sejam consolidadas nas estruturas curriculares dos cursos, bem como nos indicadores de avaliação e progressão dos docentes envolvidos. Também criaremos instrumentos de gestão e registro das atividades de extensão, além de linhas de financiamento público no orçamento da FUB com adequada divulgação e transparência.

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